Comemorações do Dia do Estudante – Carta Aberta ao Sr. Primeiro Ministro

“Exmo Sr. Primeiro Ministro

Dr. Pedro Passos Coelho

Hoje, dia 24 de março, comemora-se o Dia do Estudante. Assim é feito há muitos anos para recordar a bravura daqueles que, em 1962, perante um regime fascista, mas na certeza que o futuro lhes pertencia, ousaram gritar Liberdade. Assim é feito para lembrar que os estudantes são a semente do futuro do país. Assim é feito para que não esqueçamos que a Educação é o pilar chave de uma sociedade evoluída e democrática. Assim é feito para lembrar que a educação, os estudantes e os jovens importam e são decisivos para construir o Portugal de amanhã.

Passados 51 anos da Crise Académica de 1962, o Movimento Associativo afirma a sua preocupação com o estado em que a Educação se encontra e a sua discordância com as políticas educativas seguidas por este e pelos anteriores governos. A Educação é o maior investimento que o país pode fazer no seu Futuro. No seu discurso internacional, várias vezes o Governo assumiu não só como prioritária mas também como essencial a Educação como saída para a crise. Mas esses não foram até agora compromissos honrados. Continuamos a investir menos que a maioria dos países da União Europeia no Ensino Superior, estamos longe de cumprir as metas do Horizonte 2020 no que diz respeito à formação superior, temos uma das propinas mais elevadas da Europa, um sistema da Ação Social Escolar obsoleto e ineficaz e a realidade do abandono escolar, do desemprego jovem e da emigração. Continuam os sucessivos Governos a não encarar como uma prioridade a Educação dos mais jovens, mesmo quando sabemos que um licenciado devolve, em média, três vezes mais ao estado do que aquilo que o estado investiu nele.

Como disse Derek Bok, “se acham que a educação é cara, experimentem a ignorância”.

Senhor Primeiro-ministro, ao longo da sua legislatura, várias foram as vezes que reunimos com a tutela, na pessoa do Sr. Secretário de Estado do Ensino Superior. Muitas foram as vezes que expusemos as nossas preocupações e as nossas propostas para melhorar o Ensino Superior Português e tornar mais justo o tratamento dos estudantes mais carenciados pelo Estado
Português. As respostas foram sempre nulas, sempre baseadas no argumento da situação difícil que o país atravessa financeiramente.

Senhor Primeiro-ministro, a política, a nosso ver, tem que ter como base primária as pessoas e o projeto de país que queremos. A urgência em resolver os problemas financeiros do país não pode nunca tornar-se num imediatismo tal que nos faça esquecer o nosso Futuro enquanto nação. Porque há mais futuro e há mais país além da crise.

Está na hora da tutela assumir se é este o caminho que quer para o Ensino Superior Português.

Em 2011, quando era ainda candidato a Primeiro-Ministro, reuniu com o Movimento Associativo e garantiu-nos que estaria disposto a reunir novamente depois de eleito. Promessas feitas, promessas quebradas. Em novembro do ano passado, pedimos essa reunião e até hoje não obtivemos resposta.

Assim, 51 anos depois dos acontecimentos que deram origem ao Dia do Estudante, o Movimento Associativo vem através desta Carta Aberta exigir uma reunião com carácter urgente com Sua Excelência o Primeiro-Ministro de Portugal. Esta reunião servirá para saber, de uma vez por todas, que caminho quer o atual Governo para o Ensino Superior.

Queremos que as nossas reivindicações sejam tidas em consideração e se tornem realidade sob pena de enveredarmos pelo uso de ações de força se tal não acontecer.”

Dia Aberto



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